Galo Cant'às Duas
Galo Cant'às Duas editam primeiro álbum pela BLITZ Records. Ouça-o e leia a entrevista
07.08.2017 às 14h57
São dois, vêm de Viseu e fazem música exótica e psicadélica – alguém falou em pós-rock? Se o galo canta, eles quase não. Mas deixam os instrumentos sonhar. Serão anjos? Ouça aqui “Os Anjos Também Cantam” nas principais plataformas de streaming. Leia também a entrevista
Duo de Viseu lançou álbum de estreia, Os Anjos Também Cantam, pela BLITZ Records/Sony.
"Os Anjos Também Cantam", dos Galo Cant'às Duas
Ouça-o aqui nas principais plataformas de streaming:
«Galo Cant’às Duas surge no verão de 2015 num encontro de artes em meio rural da aldeia da Moita, do distrito de Viseu, num contexto de experimentação e comunhão entre todas as expressões artísticas», começa por dizer o multi-instrumentista Gonçalo Alegre. «Eu e o Hugo [Cardoso, baterista] já nos conhecíamos de outras circunstâncias e partilhávamos uma predisposição enorme em fazer música livre de rótulos e estéticas musicais». O duo começou a dar concertos «com a viagem que já tínhamos estruturado até então, a que chamámos Os Anjos Também Cantam, que é também o nome do disco. A evolução dessa viagem», explica, «acontece de forma livre e sempre num contexto de procura pelos belos palcos por onde passámos até à gravação do disco em agosto de 2016».
Música paisagística, com diferentes matizes mas «dirigida» pela instrumentação canónica do rock (guitarra, baixo, bateria…), responde a uma demanda considerável de improvisação. «Por isso mesmo, a nossa música é também aquilo em que insistimos que seja, uma viagem, viagem esta que se transforma a cada concerto». Sem preconceitos «com estilos, géneros e formas, seguimos o nosso coração». Space rock e pós-rock serão, porventura, alguns dos carimbos prováveis de uma música aventureira (vejam-se as cambiantes de uma canção como «Respira», com 11 minutos), que evolui para lugares pouco previsíveis e surpreendentes. No Galo Cant’às Duas, as camadas de som são adicionadas como que prontas para um duelo. E os instrumentos falam mais alto (cantam mais alto?) do que a voz, que só se ouve à canção derradeira, «Partícula».
Gravado durante uma semana no estúdio HAUS, com Makoto Yagyu e Fábio Jevelim (dos PAUS) na gravação, produção, mistura e masterização, Os Anjos Também Cantam «deu-nos bastante gozo a compor», avança o percussionista Hugo Cardoso. «A ideia sempre foi chegar a um equilíbrio entre a improvisação e uma estrutura. Tudo aconteceu naturalmente na nossa sala de ensaio. O objetivo era também oferecer variadas texturas, desde andamentos mais lentos a formas mais intensas, mais densas. Um disco com bastantes dinâmicas», elucida.
«Começámos com o tema “Marcha dos que Voam”, aquele que assumimos como single, visto ser o tema que mais nos define. Tem uma boa percentagem de improvisação que em concerto resulta sempre em micro-viagens, dando dinâmicas bem intensas. Com isto seguimos com o “Respira”, um tema lento em que a linha de baixo está sempre a dar ideia de uma espécie de metamorfose», explica Hugo, ao percorrer o alinhamento do álbum de estreia da dupla. «Conforme fomos compondo, os temas foram ficando com uma estrutura mais definida, com menos improvisação. É o caso dos últimos temas, o “Processo Entre Viagens”, com um groove perto do drum’n’bass, e o “Partícula”, onde decidimos explorar vozes», remata. «É uma obra completa, uma viagem com altos e baixos, como a vida».