Os Linda Martini querem fazer diferente no futuro. Uma conversa sobre o “sonho lusitano” que se tornou realidade
08.02.2020 às 9h00
A poucos dias da estreia no Coliseu do Porto, os Linda Martini olham para a frente e para trás. “Temos essa coisa do sonho americano de sermos uma banda de amigos. Correu bem”. Uma saborosa entrevista para o seu fim de semana
Entre um estrondoso concerto no Coliseu dos Recreios, o segundo que deram em nome próprio na mítica sala lisboeta, e a estreia no Coliseu do Porto (no próximo dia 13), os Linda Martini começam a preparar o próximo passo de um percurso que já se alonga por 17 anos. Com “Linda Martini”, o mais recente registo de estúdio, a completar o seu ciclo de palco, e o décimo aniversário de “Casa Ocupada”, o disco da confirmação, em mãos, o quarteto composto por André Henriques, Cláudia Guerreiro, Hélio Morais e Pedro Geraldes tem já os olhos postos no futuro e um novo álbum a nascer. O vocalista e a baixista sentaram-se à conversa com a BLITZ sobre os projetos paralelos, a renovação de público, a vontade de “fazer as coisas de maneira diferente” e o facto de estarem hoje a viver o “sonho lusitano” que tinham quando eram miúdos.
Que ligação têm ao Coliseu do Porto? Também já viram concertos marcantes lá, como tinham visto no de Lisboa antes de pisarem o palco pela primeira vez?
Cláudia Guerreiro – Eu nunca entrei no Coliseu, só vi fotografias. Parece-me ser uma sala linda, mas nunca vi lá nada. Também, é normal. Vivemos em Lisboa, é natural que conheçamos melhor as salas de cá.
André Henriques – É isso. Eu também nunca pisei o palco nem sequer entrei pela porta principal do Coliseu do Porto. É uma estreia. Estamos ansiosos.
Pediram aos vossos seguidores nas redes sociais para vos ajudarem a criar o alinhamento para estes concertos. Há canções inescapáveis?
CG –Nós gostávamos que isso não fosse assim, mas na verdade acaba por ser um bocado. Não é que as pessoas fossem escolher por nós, mas ajudam-nos a perceber o que faz mais sentido. Aí percebes que é difícil fugir. Não estás a dar um concerto para ti, não é? Claro que, em primeira instância, é para nós, porque temos que gostar daquilo que estamos a fazer, mas logo a seguir ou ao mesmo tempo está o público. Se é muito óbvio que há ali músicas que têm que estar nós tentamos respeitar isso.
Agora que o álbum “Linda Martini” está cá fora há dois anos e suponho que já tenham uma visão mais panorâmica: foi um disco de balanço? Um retrato daquilo que são os Linda Martini de hoje mas também um disco que representa o que vos move na música?
CG – Não sei se é correto dizer isso sobre um disco em particular. Eu acho que todos os discos fazem isso, são exatamente uma celebração de estarmos juntos, de estarmos a fazer música juntos. Talvez mais os dois primeiros, o EP “Linda Martini” e o “Olhos de Mongol”, sejam mais um retrato do que éramos naquela altura, mas acho que daí para a frente, embora consideremos que eles são todos diferentes e tenhamos sempre o cuidado de os fazer diferentes, são aquilo que nós éramos e aquilo que ainda somos hoje. Por isso, sim, concordo, mas não no sentido de o diferenciar dos outros.
AH – O que podemos dizer sobre esse disco é que é uma súmula das aprendizagens que fomos fazendo ao longo dos anos. É um lugar-comum mas é verdade: não o conseguiríamos seguramente fazer se não tivéssemos feito os outros todos pelo caminho. Depois, há pessoas que elegem um dos discos como favorito, acontece com todas as bandas, “eu gosto mais deste”, “eu gosto mais daquele”, porque atravessámos uma determinada fase que disse mais a essa pessoa. Tivemos sempre esse cuidado de não nos repetirmos ou, pelo menos, de perceber onde estamos e onde podemos escapar a partir daí… Para já, e falo por mim, é o meu disco preferido de Linda Martini até agora, o que é bom sinal. Quando o teu último disco é o disco de que gostas mais, é sinal que te aponta já para um futuro e que estás contente com aquilo que acabaste de fazer. E, pronto, esperamos que o seguinte passe a ser o meu novo disco preferido de Linda Martini.
Na verdade, aquilo que me fez colocar esta questão foi pensar: é um disco que se chama “Linda Martini” depois de um primeiro EP que também se chamava “Linda Martini”… Parece uma espécie de completar de um ciclo. Isso leva-nos para o disco novo, agora. Com que espírito entraram para o álbum que aí vem?
AH – O que dizes é engraçado e o facto de darmos o nome da banda ao nome do disco acaba por ser pesado. Se interpretássemos isso como o disco que é o culminar da nossa carreira… O que é que vamos fazer a seguir? Até para nós seria difícil digerir. No fundo, como dissemos na altura, acaba por ser quase uma coincidência o facto de o disco se chamar “Linda Martini”. Como muita coisa que nos acontece na vida, e nós somos muito feitos de acasos e coisas não planeadas, foi simplesmente o facto de termos uma fotografia da Linda Martini de que gostámos. Olhámos e dissemos: “boa, isso dava uma grande capa”. Daí o nome. Portanto, o disco é o disco, o tal retrato que falávamos, naquele momento, de há dois anos, de quando nos sentámos e nos fechámos dentro da sala de ensaios e quisemos fazer música. Agora, estamos num outro momento. Lá está, mais uma vez são sempre aprendizagens. Já fizemos aquele disco, queremos pegar naquilo e nos outros todos, na lição aprendida, e tentar perceber como é que vamos para fora de pé. Isso é o que nos continua a dar gozo. Por exemplo, ainda agora acabámos de vir de um ensaio, estávamos a ensaiar para os Coliseus, e nos entretantos, entre uma música e outra, alguém se lembrou de fazer um riff… “Epá, grava aí no telefone”… e já estamos com essa escuta ativa para perceber o que aí vem. Não nos prendemos muito com o disco anterior ou com o que fizemos há dois anos. Queremos é muito perceber o que ainda está aí para nós fazermos. Não temos ainda na cabeça o que será, mas nos próximos tempos vamos ter residências e ensaios e será aí que o vamos cozinhar. É aí que as próprias canções vão dizer que disco estamos a fazer.
Ainda está numa fase muito embrionária, portanto.
CG – Estando numa fase embrionária, a verdade é que já temos uma série de coisas avançadas. Eles têm-lhes chamado esqueletos. Parece que temos novos esqueletos no armário sobre os quais vamos trabalhar agora, entre o primeiro e o segundo coliseu. Mas sim, temos essa residência e felizmente já temos muito material para trabalhar. Esperamos conseguir fechar muito dele.
O “encerrar de ciclo” a que se referiram quando anunciaram estes concertos nos Coliseus é meramente o encerrar do ciclo de um álbum ou é também um empurrão dos Linda Martini para um novo patamar? Estamos a entrar numa nova década…
CG – Eu, pessoalmente, sinto isto mais como o fim de um ciclo relacionado com o disco. Mas é isso que dizes. Na verdade, estamos no fim de uma década, estamos no fim de um ciclo que começou com “Linda Martini” e termina com “Linda Martini”, embora isso seja uma coincidência. Por acaso, se conseguirmos levar para a frente uma coisa que estamos a tentar, começa-se um novo ciclo, que é uma tentativa de fazer as coisas de maneira diferente em termos de processos de como fazer música. Estamos a tentar implementar, entre nós, uma nova maneira de fazer música, que esperamos que nos leve a resultados diferentes. Mas, para já, está só no plano da tentativa.
A dinâmica nas bandas, como em qualquer relação, vai evoluindo com o passar dos anos. Haverá, certamente, momentos em que estão em alta, momentos em que estão em baixa. Alguma vez colocaram sequer a hipótese de mandar tudo às urtigas?
CG – Eu já pensei nisso. Não sei se todos já pensaram, mas a certa altura, quando te chateias, numa relação, quando estás farto de alguma coisa queres mandar tudo às urtigas. Mas todos ao mesmo tempo nunca falámos disso, portanto, felizmente, se já todos pensámos nunca pensámos ao mesmo tempo. Portanto, cá estamos.
AH – Deve ser mais difícil acabar uma banda do que acabar uma relação a dois, não é? Porque tinhas de ter o acordo dos quatro, neste caso. A dois, se uma pessoa se chatear pode perfeitamente ir-se embora. Numa banda é um bocadinho diferente. Embora para nós, obviamente, não faça nenhum sentido, se alguém sair, continuar. Somos os quatro elementos fundadores. Mesmo quando o Sérgio [Lemos] saiu nunca metemos ninguém a substituí-lo, portanto para nós a banda faz sentido quando estamos os quatro juntos. Mas é isso. Nunca pensámos, pelo menos todos ao mesmo tempo, nessa hipótese de abandonar e fazer outra coisa.
CG – Até porque tens uma coisa engraçada. Uma pessoa numa relação a dois se quiser pode só ir-se embora. Ou seja, uma pessoa, numa relação a dois, tem o poder de terminá-la “eu não quero e isto não vai continuar”. Numa banda não. Tu sabes que se não quiseres, aquilo pode continuar sem ti. Então nessa altura pensas “se calhar não quero que isso aconteça. Deixa-me lá continuar que isto vai-me custar muito se continuar sem mim”.
Já lá vão 17 anos de Linda Martini… Estão quase a atingir a maioridade. Continuam a aprender muito uns com os outros?
AH – Sim, sim. É inevitável dizer que crescemos uns com os outros, dentro da música e fora da música. Somos amigos há muitos anos. Nenhum de nós tem formação clássica, não estudámos música quando éramos novos, portanto os truques todos que fomos aprendendo ao longo do caminho foram sobretudo dentro desta banda. Claro que depois alguns de nós vão tendo outros projetos paralelos e, obviamente, daí também bebem algumas coisas que depois trazem para cima da mesa, mas eu diria que a grande aprendizagem musical temo-la feito os quatro dentro daquela sala de ensaios ou de outras por onde temos passado. E sinto que continuamos a aprender, sim, isso é verdade. Vamos partilhando coisas que andamos a ouvir mas muitas vezes também não o fazemos, por questões do nosso dia-a-dia. E, às vezes, por andarmos a ouvir determinada coisa ou por termos sentido influenciados por determinado disco, acontece chegarmos a uma sala de ensaios, nesse tal momento de criação, e mostrarmos um truque qualquer novo. “Que fixe, trouxeste isso e eu não chegava lá se não fosse por aí”.
Os vossos projetos paralelos, seja o Hélio com PAUS, o André com a nova aventura a solo, o Pedro com Mão Verde e a Cláudia com o trabalho de ilustração, trazem uma saúde diferente aos Linda Martini?
AH – Do ponto de vista prático e criativo, acho que todos esses projetos têm uma influência positiva na banda. Tanto os musicais como os não musicais, como no caso da Cláudia, que faz ilustração e até já fez para outros músicos e outros contextos não relacionados com a música. Até isso depois se traduz no contexto de ela aperfeiçoar o trabalho dela e desenvolver outras técnicas. Quando estamos a pensar num cartaz ou na capa de um disco, no artwork de um disco, obviamente que tudo isso influencia. Musicalmente passa-se o mesmo. O facto de eu fazer um disco a solo ou de o Pedro estar a tocar com Mão Verde ou outro projeto qualquer, tudo aquilo que vamos interiorizando e aprendendo com outros músicos e outras experiências, depois, trazido para aqui, reflete-se de forma positiva.
Quando olham para os Linda Martini do “Casa Ocupada” (2010) ou “Olhos de Mongol” (2006), como imaginavam o vosso futuro na altura?
CG – Epá, nós não somos muito de imaginar (risos). Somos gajos pouco criativos nesse sentido. Deixamos só andar. “Deixa só acontecer. Logo se vê”.
AH – Já passaram uns anos, mas lembro-me perfeitamente de quando começámos, de quando lançámos, ainda antes do “Olhos de Mongol”, aquele primeiro EP que tinha quatro músicas, entre elas o ‘Amor Combate’. Quando essa canção começou a passar na Antena 3 foi um pouco surpreendente para mim. Até então, estávamos ali naquele nicho, que era mesmo muito pequenino, dos amigos do hardcore e aquele pessoal que ia a esse tipo de concertos. De repente, aquilo sai-nos completamente da mão e uma música de quatro minutos e tal, três deles de ruído e feedback, começa a passar numa rádio pública, faz parte da playlist, é eleita como uma das músicas do ano. Aquilo surpreendeu-nos muito. Foi um pouco estranho. Nós nunca, nos nossos sonhos mais selvagens, conseguíamos imaginar que existisse um auditório tão grande para aquilo. Agora, passados estes anos todos, esta coisa de tocar no Coliseu… Nunca imaginámos que íamos tocar no Coliseu uma vez quanto mais repetir, ir lá uma segunda vez em nome próprio. Essa é, de facto, a maior surpresa. Todos estudámos, todos seguimos aquilo que seria o desejo dos nossos pais: construir uma carreira, ter um curso superior. E depois, de repente, aquilo que hoje estamos a fazer, no ano em que estamos a fazer 40 anos, é aquilo que era o nosso sonho de putos. Nunca pensámos que seria. Isto foi sempre o hobby, que obviamente era um hobby que nos ocupava muito tempo e no qual gastávamos toda a nossa energia boa. Aquilo que nós não estudámos, não fizemos por obrigação, não fizemos com a intenção de ter uma carreira foi aquilo que, de facto, nos deu uma carreira. Já trabalhámos todos noutras coisas, noutros contextos para lá da música, mas hoje se me perguntarem eu digo que sou músico. E não precisamos de andar muito tempo para trás. Há quatro ou cinco anos não diria que era músico, dizia que era outra coisa. Portanto, é muito estranho chegar a esta fase da vida e assumirmos isso e ser essa, a música, uma grande parcela das nossas vidas.
E apercebem-se do renovar do vosso público? Nos concertos, nas redes sociais…
CG – Por acaso, nas redes não sinto. Sinto isso, muito, nos concertos, porque é onde vemos as caras das pessoas. Nas redes, são aquilo que querem que tu vejas. Num concerto, consegues perceber que tens menores de idade, maiores de idade, do júnior ao sénior (risos) e isso é sinal de renovação, não é? Porque se tens lá um puto com 17 anos quer dizer que há 17 anos ele estava a nascer. E é engraçado pensares que esse miúdo quando nasceu tinha uns pais que o obrigaram a ouvir Linda Martini e, por isso, lá está ele hoje. Mas sim, acho que se renova. As redes têm uma dinâmica que já não é tanto a nossa, já é para outro tipo de som, outro tipo de banda. Estamos bem servidos de redes, mas se comparares o tipo de comunicação que temos, o tipo de resposta que temos e os seguidores que temos, com coisas muito mais recentes, estamos noutro plano. As coisas não funcionam assim dessa maneira tão incrível.
AH – É estranho, é muito estranho. Quando vem um miúdo ou uma miúda com o dobro da nossa altura e já com ar de adulto, que tem carta de condução, dizer-nos “ah, eu comecei a ouvir-vos quando tinha 8 ou 9 anos” tu ficas, realmente, siderado. É estranho, porque quem está no olho do furacão não consegue ter essa distância para perceber os anos que passaram. Depois, às vezes, acontece irmos ao arquivo da BLITZ e vermos uma entrevista ou a primeira fotografia que a Rita Carmo nos tirou e percebermos “epá, eu ali, realmente, tinha uma pele assim mais luzidia. Já passaram uns anos”. Mas acho que estamos confortáveis com a nossa pele e com o que somos hoje. Nenhum de nós tem assim grandes dramas com isto da idade.
CG – Ainda!
AH – Ainda… Não sei se algum dia teremos, mas para nós ser novo, ser fresco neste meio é continuares a ficar excitado com a música que fazes e…
CG – E procurares coisas novas, coisas diferentes. Pelo menos esse esforço nós fazemos. Às vezes, as pessoas não veem que isso está a acontecer, não sentem que isso tenha acontecido, mas nós fazemos esse esforço por nos renovarmos. Temos essa preocupação e essa vontade.
AH – E até é uma profissão boa para envelhecer. Eu continuo a ouvir senhores e senhoras que já têm alguns anos de carreira e continuam a dar-nos música boa quando supostamente já teriam passado da idade legal de reforma. Se estivessem a trabalhar nas finanças já estariam reformados, mas felizmente, como são músicos… E se a cabeça continua fresca e continuam a ter boas ideias podem continuar a fazer coisas surpreendentes.
CG – Para teres boas ideias não precisas de ter a cabeça fresca. Até pode dar bom resultado.
AH – É verdade. Até pode dar bom resultado não teres a cabeça tão fresca.
Vêem-se como uma prova de que é possível viver da música, apesar de todas as dificuldades?
AH – Por um lado sim, mas… É uma questão interessante essa. Acho que é bom e saudável haver exemplos de pessoas como nós ou outros artistas já com alguns anos de carreira que conseguem, com determinado tipo de som, seja ele qual for, ter o seu público, a sua audiência, e ter uma vida pessoal e financeira que gire à volta do trabalho que fazem. Agora, também não vou dourar a pílula e dizer que isto é o sonho americano ou o sonho lusitano, porque, na verdade, é uma vida que, como em todas as outras, precisa de empenho. Tens de te agarrar. A única coisa é saber se é mesmo isto que queres fazer. É sempre importante, faças o que fizeres, trabalhes numa padaria ou num banco, faças música ou jogues à bola, perceberes o que te faz feliz. Porque estares oito ou nove horas por dia a fazer uma coisa que não te realiza vai ter as suas mazelas, a curto ou longo prazo. Nós conseguimos viver disto, mas conseguimos viver disto fazendo muitas outras coisas. Temos outros projetos, musicais ou não musicais, porque o nosso som não é mainstream. Não aparecemos propriamente no genérico da novela, nem estamos no próximo anúncio de campanhas de telemóvel e, portanto, aquilo que fazemos fazemo-lo essencialmente porque gostamos. Obviamente, se houver um retorno financeiro e conseguirmos viver disso tanto melhor, mas é uma coisa que dá trabalho. Não é aquele mar de rosas de estar a viver o sonho americano, de ter uma piscina e discos de ouro pendurados lá no quarto.
Ainda por cima, os Linda Martini são o exemplo perfeito desse sonho: um grupo de amigos que se conhece há muito tempo, faz uma banda e continua a estar aqui todos estes anos depois.
CG – Isto prende-nos num sítio. E isso é bom e é mau. Tem essa parte negativa que é: nunca foste para mais lado nenhum, nunca foste fazer coisas diferentes, porque tens aqui uma coisa que para ti é mais importante e não queres perder. Mas, sim, temos essa coisa do sonho americano de sermos uma banda de amigos. Correu bem. Nunca imaginámos que fosse assim, porque não éramos mais do que uma banda de quatro pessoas que gostavam de estar juntas a tocar.
AH – Eu acho que nisso somos todos muito parecidos. Sempre quisemos fazer música. É diferente querer fazer música e querer ser artista, ter reconhecimento e todos os louros e as coisas que depois advêm disso, as críticas maravilhosas… Sempre quisemos fazer música porque cedo percebemos que isto nos deixava felizes, quando ainda não existia público e estávamos só entre quatro paredes sem ninguém a ouvir-nos de lá para fora. A partir daí, o sonho foi chegarmos aqui e percebermos que o que não era suposto acontecer virou a fatia principal do bolo, para todos nós. Isso, realmente, é um sonho.
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